Matéria sugerida pelo meu amigo André Ferraz Arcoverde.
Desde 2006, um manifesto em favor da volta do ensino de música nas escolas brasileiras está tramitando no Senado. O manifesto, idealizado pelo Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música (GAP) deu origem a dois projetos de lei. Um desses projetos, o 330/2006 (de autoria da senadora Roseana Sarney - PMDB/MA) foi aprovado por unanimidade em dezembro de 2007, e seguirá seu rumo passando pela Câmara dos Deputados e, se aprovado, passará pela sanção do Presidente da República.
No século passado, à época de Vargas, o compositor brasileiro Villa-Lobos conseguiu que o ensino de música fosse obrigatório nas escolas brasileiras. Por motivos indiferentes aos progressos culturais causados por tal conquista, a disciplina depois foi substituída por Educação Artística, que propunha o ensino de várias artes, inclusive a música. Mas, com professores geralmente não qualificados ao ensino musical, as partituras perderam espaço nas salas de aula. Desde então, muitos dos benefícios causados pelo ensino musical foram perdidos.
Correndo por fora, há algumas iniciativas que tentam recuperar essa virtude. Um exemplo bem-sucedido é o Projeto TIM Música nas Escolas, promovido pela empresa de telefonia TIM. Segundo dados do projeto, em 2006 os participantes apresentaram uma taxa de desenvolvimento social de até 19% - o equivalente a um ano a mais de escola, segundo os melhores índices mundiais de formação de capital humano (fonte - O Estado de São Paulo).
Os benefícios causados pelo aprendizado infantil de música são vários. A música desenvolve a criatividade, a cognição, a coordenação motora e melhora o convívio social (trabalhando em grupo como numa orquestra). Sem falar que o ensino de compassos (”ritmo” da música) é um excelente aliado no desenvolvimento do raciocíno matemático. Platão disse uma vez que a música é “um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”.
Afora os benefícios didáticos e cognitivos, abro uma questão para os possíveis benefícios culturais. O ensino de música possivelmente melhoraria o cenário musical que permeia a cabeça dos jovens, tornando-os mais críticos em relação à musica que ouvem. A propagação de grupos musicais que distorcem a cultura e não prezam pela melodia em si, mas pelo apelo sexual ou apelo de mídia talvez não existisse se todos tivessem, desde cedo, acesso a um conteúdo mais rico. Talvez a inserção da música como cultura nas escolas termine por tornar as mentes dos jovens mais crítica, e movimentos “musicais” como o forró estilizado com apelo sexual e o hardcore (vertente moderna do rock) adolescente imediatista sem conteúdo deixassem de existir. Em lugar deles, talvez, voltassem o baião tipicamente nordestino ou mesmo o rock com conteúdo político, e as melodias voltariam a ser valorizadas.
Para mais informações sobre o manifesto, acesse http://www.queroeducacaomusicalnaescola.com/. Lá você pode conhecer o GAP e o projeto de lei. Caso você se interesse, não deixe de assinar o abaixo-assinado contido no site para ser apresentado na Câmara dos Deputados. Até o momento da postagem desta matéria, 7741 pessoas já haviam assinado.



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